iPad = 2*iPhone – Phone

Posted by Fernando Lemos | Posted in Notícia | Posted on 27-01-2010

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Hoje foi lançado o tão esperado tablet da Apple, antes referenciado como iSlate, mas que foi batizado pelo tio Jobs como iPad.

Design

O design do iPad não nega as origens. Comportando uma tela de 9,7 polegadas “widescreen”, sua carcaça de alumínio tem meio centímetro de espessura (pouco menos que o MacBook Air) e 680 gramas de peso (5x o peso de um iPhone). Além disso, ele herda quase tudo do iPhone: botão home (aquela bolinha frontal), entrada para o conector de 30 pinos na mesma posição do iPhone, alto-falantes embutidos, botão para volume e mudo, entrada para fone de ouvido. No entanto, as bordas da tela são exageradamente grandes. Isso certamente melhora a empunhadura do aparelho, mas deixa o iPad com cara de porta-retrato digital. Acredito que uma borda menor não aumentaria os cliques acidentais e dariam um aspecto mais clean ao produto.

Imagem frontal do iPad.

Hardware

O hardware do iPad é bem generoso. Possui um processador A4 de 1GHz desenvolvido pela própria Apple, wifi, bluetooth, acelerômetro, bússola e uma bateria que dura 10hs. Vem nas versões 16, 32 e 63GB, com os valores respectivos de 499, 599 e 699 dólares, as quais estarão disponíveis em 60 dias. As versões 3G custam 130 dólares adicionais e estarão disponíveis em 90 dias.

A Apple também lançou um conjunto de acessórios (adaptadores e docks) que permitem acessar fotos de câmeras digitais através do cabo USB ou do cartão de memória da câmera, acoplar uma webcam ou usar um teclado externo.

O iPad é carregado da mesma forma que o iPhone, ou seja, através de um cabo dock-USB ou de um adaptador de energia.

Infelizmente, o iPad não possui webcam (o que é incompreensível, diante do propósito do produto). Também não nem entradas USB ou saída de vídeo (quiçá HDMI). Além disso, a tela que é apresentada como widescreen deixa uma sensação de que o usuário está assistindo em uma tela 4:3.

Sistema Operacional e Aplicativos

Apesar do hardware sofisticado, o sistema operacional causa decepção. A Apple adaptou o sistema usado pelo iPhone/iPod Touch e acrescentou algumas poucas modificações. Resumindo, temos novamente uma tela com um conjunto de aplicativos, uma barra inferior para os aplicativos favoritos e uma barra superior com status do sistema. As aplicações básicas do iPhone (safari, mail, photos, etc) foram redesenhadas para aproveitar a tela maior. De novidade, as aplicações agora apresentam menus pop-ups e contextuais e sub-janelas.

Dentre as novas aplicações, destaca-se o leitor de livros digitais iBook, juntamente com a loja de livros iBookStore. A aplicação transforma o iPad em um eReader, competindo assim com o Kindle, Nook, etc. As aplicações Keynote, Pages e Numbers do pacote iWork também foram adaptadas para o novo formato e representam um grande esforço da Apple para trazer para o iPad desenvolvedores interessados em criar aplicações mais complexas. As demais aplicações da AppStore podem ser executadas normalmente ocupando o centro da tela ou sendo “esticadas” pra ocupar a tela inteira.

Mais uma vez a Apple perde a oportunidade e  não adiciona a funcionalidade de multi-tarefa. Fica complicado entender com um produto com tamanho poder computacional não permite navegar na internet ao mesmo tempo em que se fala com os seus amigos pelo MSN. Falando em internet, o safari do iPad também não suporta Flash. Outro ponto negativo é o teclado virtual; ao invés de inovar, a Apple simplesmente aumenta o teclado do iPhone e dificulta a digitação na maioria das posições (aparentemente, o único jeito confortável de digitar usando o teclado virtual é apoiando o iPad nas pernas).

Conclusão

Resumindo, temos um iPod Touch mulitplicado por dois. Apesar de fino, o design não inova e não se difere muito do protótipo da HP, por exemplo. O hardware é poderoso, mas também não apresenta um marco na indústria. O que frusta mesmo é a subutilização do hardware pelo sistema operacional fraco e deficiente. A falta da multi-tarefa decepciona profundamente e deixa aquela sensação de gol feito que foi perdido. Resta esperar o desenvolvimento de aplicações que inovem ao utilizar as novas funcionalidades de interface do sistema.